segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Reflexões sobre a inclusão escolar

Minha reflexão dessa semana tem como foco a interdisciplina: "Educação de Pessoas com Necessidades Especiais". Nessa interdisciplina fomos convidadas a repensar como compreendemos e pensamos a inclusão da pessoa com deficiência a partir de um texto e de um vídeo da professora Izabel Maior. 
Esse ano assumi o desafio de trabalhar em uma sala de recursos atendendo no contra turno os alunos com deficiência da escola onde atuo. As turmas da minha escola que têm em seu quadro alunos com deficiência são as turmas de terceiro ano que é composta por 13 alunos e tem uma aluna com paralisia cerebral e um aluno com deficiência intelectual. A turma de quarto ano que tem 15 alunos e um aluno com deficiência intelectual. A turma do sexto ano que tem 24 alunos e um aluno com paralisia cerebral e um aluno com deficiência intelectual. E a turma do oitavo ano com 17 alunos, sendo duas com diagnóstico de deficiência intelectual. Ao todos são 7 alunos com deficiência: dois com paralisia cerebral e 5 com deficiência intelectual em nossa escola. 
Os alunos estão incluídos na rotina escolar e na turma em que estão matriculados, participando das atividades e passeios propostos. Hoje mesmo foi realizado um passeio para a festa do município onde os alunos ganharam ingressos para brincar no parque de diversões. O parque não tinha acessibilidade para nossa aluna com cadeira de rodas. Mas os colegas ajudaram, em alguns momentos foi necessário pegar a aluna no colo, mas ela andou em todos os brinquedos junto com a turma. Era visível a felicidade dela por estar incluída na atividade com os seus colegas. Como aponta o texto da professora Izabel Maior "a história e o novo conceito de deficiência, mostram a evolução das sociedades para o respeito às diferenças individuais" acredito que a inclusão dos alunos no sistema regular de ensino é um grande passo nessa caminhada. Para encerrar essa postagem gostaria de trazer uma questão que a professora Izabel Maior nos faz no vídeo: "Como podemos desconstruir o que o estigma acarreta?" De acordo com Izabel Maior o estigma é o que leva a não aceitação do outro na forma que o outro é. 
Assim acredito que um dos papéis de uma educação inclusiva deve ser a desconstrução desses estigmas para construirmos uma sociedade mais acessível e igualitária.
Encerro essa postagem com alguns registros da atividade relata anteriormente: 


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Mostra de vídeos sobre as questões Étnico- raciais

Acabei de chegar em casa e preciso realizar essa postagem sobre as aprendizagens adquiridas na noite de hoje na aula da interdisciplina de Educação Étnico raciais. Hoje a atividade proposta pelas professoras consistia na apresentação de vídeos organizados por grupos de trabalho sobre as questões discutidas ao longo do semestre na interdisciplina.
O meu grupo apresentou um vídeo que realizei na escola onde trabalho onde articulamos as discussões sobre projetos de aprendizagem e as questões étnico raciais, pois entrevistamos uma professora com um grupo de alunas que investigou um pouco da sua história conversando com moradores antigos da região Morro do Macaco Branco, região Quilombola situada na área rural do município de Portão.
Muitos vídeos apresentados hoje me chamaram a atenção e me emocionaram, assim volto agradecida da noite de hoje pois certamente ela ficará registrada na minha memória. Para o Professor Jorge Larrosa a experiência não seria algo que simplesmente nos passa, ou nos toca, mas algo que ao nos passar ou nos acontecer nos transforma. Certamente essa noite foi uma experiência, pois foi impossível sair dela igual.

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Piaget e os estágios de desenvolvimento

Nessa semana gostaria de comentar sobre os estudos realizados na interdisciplina de desenvolvimento e aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II. Nas atividades da interdisciplina estamos sendo desafiadas a estudar e aprofundar nossos conhecimentos sobre a teoria piagetina. Um dos textos que estudamos sobre os estágios de desenvolvimento intelectual da criança e do adolescente Piaget  descreve cuidadosamente como o conceito de estágio deve ser compreendido na sua teoria. 
Acredito que será a partir de uma delimitação bem definida do conceito de estágios que o autor irá desenvolver sua teoria sobre o desenvolvimento cognitivo. Para Piaget a noção de estágio deverá respeitar 05 pressupostos, o primeiro consiste em considerar que eles devem respeitar uma ordem de sucessão e aquisição que será constante, assim a aprendizagem dependerá das experiências anteriores do sujeito e do meio social. O segundo refere-se ao que o pesquisador denominou como caráter integrativo, ou seja, as estruturas construídas numa idade se tornarão partes integrantes das estruturas na idade seguinte. O terceiro pressuposto consiste na estrutura de conjunto, cada estágio contemplará uma série de habilidades. O quarto é que será necessário considerar que cada estágio comporta um nível de preparação e um nível de acabamento. E o quinto é que existem diversos graus de estabilidade no nível de acabamento. 
Após essa descrição o autor irá então descrever o período da inteligência sensório- motor que será o primeiro período e se estenderá do nascimento até o aparecimento da linguagem, que o autor subdivide em seis estágios: 1- exercícios de reflexo (até 1 mês) 2- primeiros hábitos ( 1 até 4 meses e meio) 3- Coordenação da visão e preensão ( 4 meses e meio a 8- 9 meses) 4- Coordenação dos esquemas secundários (até 11- 12 meses) 5- diferenciação de esquemas de ação por reação circular terciária (até 18 meses) 6- Começo da interiorização dos esquemas e solução de alguns problemas (até 24 meses). O autor também descreve o período de preparação das operações concretas de classes, relações e número que se estenderia dos 2 anos até os 12 anos e estaria dividido em dois subperíodos: 1- Representações pré- operatórias 2- Operações concretas. E o terceiro e último período das operações formais. 
Referências: 
PIAGET, Jean. A epistemologia genética: Sabedoria e ilusões da filosofia. São Paulo: Abril cultura, 1983. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Crocodilos e avestruzes...


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Compartilho nessa semana uma pequena reflexão sobre um texto estudado na interdisciplina de "Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais”. O texto da professora Lígia Amaral nos ajuda a refletir sobre deficiência explorando duas metáforas: crocodilos e avestruzes. 
A autora utiliza a metáfora do crocodilo, para referir-se aos mitos que rondam as pessoas com deficiência. Esses mitos são nomeados pela autora como: preconceito, estereótipos e estigma. Os mitos seriam os crocodilos que rondam o castelo, impedindo o contato. A ponte que liga a cidade e o castelo seria a possibilidade de encontro protegendo dos crocodilos. Amaral explora assim quatro mitos ligados especialmente a deficiência física: 1- generalização indevida, na qual ocorreria uma “transformação da totalidade da pessoa com deficiência na própria condição de deficiência. (AMARAL, 1998, p. 16 e 17); 2- Correlação linear, onde acredita-se que se uma atividade é adequada para uma pessoa com deficiência ela será adequada para todas. 3- Contágio cósmico, que se refere “ao medo (pavor mesmo) da ‘contaminação’ pelo convívio”. (AMARAL, 1998, p.17) 4- Barreiras atitudinais, que consiste em ocupar uma posição desfavorável na relação com outra pessoa que é significativamente diferente.

Já para explicar uma reação que a autora tem observado que às pessoas apresentam em contato com uma diferença significativa ela explora a metáfora do avestruz que enfia a cabeça na areia. Assim em “situações em que entrar realisticamente em pleno contato com a diferença significativa não é uma possibilidade psicológica imediata” (AMARAL, 1998, p.20) é comum que as pessoas criem/ apresentem mecanismos de defesa para fugir desse encontro. é comum que as pessoas criem/ apresentem mecanismos de defesa para fugir desse encontro. 


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Referências:

AMARAL, Lígia Assumpção. Sobre Crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação. In: AQUINO, Julio Groppa. Diferenças e preconceitos na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Escola: laboratório ou auditório?


     Abro a postagem de hoje com o vídeo do professor Fernando Becker onde ele convida aos professores a refletirem sobre suas práticas pedagógicas a partir de uma provocação: "Menos auditório, mais laboratório". 
    O pesquisador e professor Fernando Becker é considerado um destaque na área de Educação no Brasil. O professor tem se dedicado a dois importantes pensadores para o campo educacional: Paulo Freire e Jean Piaget. O professor nesse vídeo defende a escola e a aula como laboratório e não auditório. Pois, enquanto no auditório apenas se transmite o que já se sabe. No laboratório ao contrário, lá se exerce a intuição e a experimentação. Assim o aluno não é concebido como um receptáculo de conhecimentos mas produtor ativo do seu processo de aprendizagem.      De acordo com o professor a escola tradicionalmente tem utilizado dois verbos: copiar e repetir. Ao revistar as obras de Freire e Piaget o professor nos oferece outros verbos para pensar a Educação como: interagir, indagar, experimentar, testar, sentir, cooperar, descobrir, ultrapassar. Enquanto a sala de aula como auditório tende a banalizar as metodologias cientificas pois desconhece como as ciências produzem conhecimentos novos. A sala de aula como laboratório parte da ação do sujeito, não uma ação comandada, mas uma ação espontânea.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Papel da escola e do professor em uma Educação inclusiva

"Se falamos tanto da inclusão é porque ela não existe. Os países que melhor fazem a inclusão ela tem desaparecido" (CARLOS SKLIAR) 

Inicio essa postagem com uma frase do professor Carlos Skliar em um vídeo que assistimos na interdisciplina de educação de pessoas com necessidades educacionais especiais, onde o professor nos convida a pensar uma educação inclusiva recuperando não tecnicamente nem burocraticamente a ideia de hospitalidade grega, onde eu recebo o outro na minha casa e lhe oferece tudo que eu tenho de melhor.

Assim escolas inclusivas e práticas inclusivas, não teriam relação unicamente com uma "preparação" específica para o trabalho com pessoas com a deficiência, mas além disso estar aberto para poder trabalhar com esses alunos da melhor forma possível em nossas escolas e salas de aula. 

Essa interdisciplina tem me ajudado a repensar minha prática como professora, especialmente em um contexto de educação inclusiva onde as escolas e os professores cada vez mais exigem dos alunos que apresentam alguma dificuldade de aprendizagem e suas famílias um laudo médico  para somente após a apresentação do laudo desenvolverem uma proposta para esse aluno. 

Entendo a importância do laudo médico, mas como estudamos na interdisciplina, inclusive legalmente, é proibido que se exija um laudo médico, para que o aluno público alvo da educação especial frequente o Atendimento Educacional Especializado e seja cadastrado no Censo. 

Assim acredito que mais do que um laudo, precisamos estar abertos como escolas para receber todos os alunos. 

Vale a pena conferir o vídeo do professor Skliar:





terça-feira, 10 de outubro de 2017

Um pouco sobre a histórica das pessoas com deficiência...


Na interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais estamos estudando um pouco sobre a história das pessoas com deficiência. Para tanto assistimos um filme chamado: “a história geral do Atendimento à Pessoa com deficiência”, o vídeo aponta que até a década de 70 as pessoas com deficiência eram invisíveis ficando restritas as instituições e/ou no âmbito familiar.
O vídeo marca a importância do ano de 1981, como o Ano Internacional das Pessoas deficientes. Destaca-se que a ONU ao utilizar a conceituação “pessoas deficientes” provoca uma mudança de paradigma com relação a esses sujeitos que até então eram denominados como “os deficientes”, “os inválidos”. A importância de inserir a conceituação pessoas marca uma virada importante para o Movimento das pessoas com deficiência. Dando um grande impulso para esse área de conhecimento, segundo os entrevistados. 

A imagem que escolhi para essa postagem, também nos ajuda a compreender um pouco sobre essa história. No texto que lemos a autora Olga Rodrigues explica que na Pré- história as pessoas com deficiência eram abandonadas e muitas vezes acabavam morrendo devido as configurações organizativas daquelas sociedades. Na Antiguidade existem relatos de práticas de eliminação e abandono, onde as pessoas que nasciam com alguma deficiência, não eram nem consideradas seres- humanos. Assim acredito que podemos considerar que nesse período tais pessoas vivenciaram práticas de EXCLUSÃO. Na Idade Média com a difusão do cristianismo essas pessoa, passam a ser consideradas “filhos de Deus” e portanto não podiam ser abandonadas ou eliminadas. Dependendo do nível da deficiência as pessoas eram institucionalizadas ou ficavam no interior das famílias. Vivenciando práticas de SEGREGAÇÃO. Na idade moderna começam a ter relatos de práticas educativas que visavam a adequação das pessoas com deficiência na sociedade. Práticas que podemos denominar como de INTEGRAÇÃO. E só mais recentemente que os estudos e movimentos das pessoas com deficiência começam a apontar para a necessidade de a sociedade mudar. Movimento que podemos denominar como de INCLUSÃO. Como destaca um dos participantes do vídeo:
“A integração é um modelo segundo o qual pessoas com deficiência uma vez reabilitadas, uma vez habilitadas, alcançam um patamar, um padrão de se encaixar na sociedade como ela sempre existiu. O modelo de inclusão é mais ou menos o inverso. Ou seja não é para encaixar a pessoa na sociedade. Não é para encaixar uma pessoa em uma sociedade que não mudou. A inclusão é você mudar a sociedade. Derrubar todas as barreiras, tirar todos os obstáculos, mudar atitudes, mudar o sistema. Para que qualquer pessoa, tendo deficiência ou não, ou qualquer que seja a deficiência, possa fazer parte da sociedade”.

Referências:




Texto: Rodrigues, Olga Maria Piazentin Rolim. Educação especial: história, etiologia, conceitos e legislação vigente / Olga Maria Piazentim Rolim Rodrigues, Elisandra André Maranhe. In: Práticas em educação especial e inclusiva na área da deficiência mental / Vera Lúcia Messias Fialho Capellini (org.). – Bauru: MEC/FC/SEE, 2008