"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da
música não começaria com partituras, notas e
pautas. Ouviríamos juntas as melodias mais
gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos
que fazem a música. Aí, encantada com a
beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas
bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas
são apenas ferramentas para a produção da
beleza musical. A experiência da beleza tem
de vir antes".
Rubem Alves
Todas as fotos utilizadas possuem autorização para sua utilização
Faço essa reflexão a partir das discussões realizadas na disciplina de musicalidade e de experiências que tenho realizado como docente na Educação Infantil, a partir do material que temos estudado nessa disciplina.
A atividade retratada pelas imagens consiste em uma experimentação livre realizada pelos alunos por instrumentos musicais.
Para muitos alunos este foi o primeiro contato com vários dos instrumentos oferecidos, então ao invés de apresentar os instrumentos e "ensina-los" como utilizar, preferi oferecer de forma livre para que estes experimentassem o som que cada um produzia.
Junto com o som dos instrumentos, ouvia-se risadas de alegrias dos alunos a cada som emitido pelo instrumento escolhido.
Como nos fala Rubem Alves na atividade escolhida para abertura dessa postagem: "A experiência da beleza tem de vir antes."
A postagem dessa semana é motivada pela reflexão que realizamos na disciplina de LIBRAS a partir do vídeo: "E se o mundo fosse surdo?" O vídeo me fez realizar várias reflexões sobre acessibilidade. Então gostaria de compartilhar duas reflexões com vocês: 1- Sobre a importância da
acessibilidade: Ao ver a menina do vídeo buscando informações e sem conseguir
obtê-las pois ninguém entendia sua língua, podemos refletir sobre as diferentes
necessidades especiais e os desafios que as pessoas enfrentam diariamente.
Desde pessoas surdas que não conseguem informações, em vários serviços, pois as
pessoas não conhecem LIBRAS, até um cadeirante que não pode acessar vários lugares
por não ter rampas, por exemplo.Penso que viver em um mundo
em que as pessoas não falam a minha língua seria um grande desafio, pois como
seres- humanos sentimos a necessidade de nos comunicar, como seria essa
comunicação sem que as pessoas conhecessem a minha língua? 2- Acessibilidade é uma das chaves para a inclusão social. Sem acessibilidade as
pessoas se sentem excluídas por não poderem realizar as mesmas atividades que
os outros com os quais convivem. Por exemplo um grupo de colegas de trabalho
vai até um restaurante, mas um dos colegas é cadeirante e o acesso de rampas
seria por um porta lateral. Esse colega não poder entrar com os seus amigos
pela porta principal pode ser considerada uma forma de exclusão. Ao entrar no restaurante
todos os colegas fazem o pedido em português, caso tenha um colega surdo e o
garçom não conheça libras esse precisa escrever ou pedir apoio para um amigo
que saiba, mais uma forma de exclusão. Com essa reflexão reafirmo a importância de ações voltadas para a acessibilidade como forma de ampliação da inclusão social.
Nessa semana gostaria de compartilhar as novas aprendizagens da disciplina de literatura sobre a diferença entre poesia e poema. Segundo o material disponibilizado pela professora a diferença fundamental entre poesia e poema consiste em: POEMA: •Texto formalizado em versos e estrofe •Linguagem poética: ritmo, métrica, sonoridades, figura de estilo POESIA: •É O Conteúdo poético que podemos encontrar no poema, mas que pode também ser
encontrado em narrativas literárias.
Após discutirmos essa diferença, também fomos provocadas a pensar sobre as dimensões exploradas nos poemas para crianças, que segundo o material estudado seriam seis:
Dimensão 1: Aspecto sonoro das palavras
Dimensão 2: Brincar com o espaço da folha em branco, através de desenhos
Dimensão 3: Usar imagens e formas não convencionais
Dimensão 4: Tratar de sentimentos e vivências das crianças
Dimensão 5: Usar o absurdo, o humor e o inesperado
Dimensão 6: Buscar inspiração em composições folclóricas, paralendas e
travalínguas
As discussões realizadas nessa semana, provocadas pelo material indicado, me fizeram refletir sobre a importância de utilizarmos tanto poemas quanto textos com linguagens poéticas com os nossos alunos
Encerro essa postagem com um poema que gosto muito escrito por Cecília Meireles, que apresenta algumas das dimensões apontadas anteriormente:
bailarina
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá Mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças.
A postagem de hoje é motivada pelas discussões realizadas na disciplina de literatura sobre a a temática da diferença. Para embasar essa discussão a professora sugeriu a leitura do texto:
“Nas tramas da literatura infantil: olhares sobre
personagens “diferentes” escrito por Rosa Maria Hessel Silveira.
O texto me fez refletir sobre vários aspectos que gostaria de compartilhar com vocês. Destaco, então, alguns
elementos que me chamaram a atenção:
A
autora com base em outros estudos aponta que mesmo que os livros não se
proponham explicitamente a “ensinar” eles apresentam uma ideologia implícita
com relação a organização social, que também ensina. Com base nos livros
analisados pela autora ela aponta que é evidente que os autores tinham uma
motivação para escrever obras de uma forma pedagógica que transmitisse uma
mensagem de não ao preconceito e mais adequada com a realidade vivenciada por
seus leitores.
A
autora após apresentar de forma resumida as 10 obras literárias analisadas,
destaca alguns elementos que podem ser relacionados nas obras analisadas.
Segundo a autora é possível identificar nos livros analisados o que ela
denomina de: “gênese das diferenças” que segundo a autora seria uma explicação
voltada para os leitores de que aquele personagem é diferente, pois ele nasceu
assim. Em alguns livros junto com a explicação de que o personagem nasceu assim
é possível encontrar uma explicação cientifica da deficiência do personagem.
Um
segundo elemento analisado nas obras é relacionado ao “status dos personagens
diferentes”: em alguns livros a autora aponta que a deficiência é narrada pelo
discurso da falta, da carência gerando no leitor um sentimento de consideração
mas também de pena pela forma que o personagem é narrado. Outras obras em
contra partida narram a diferença através da potência, do que o personagem pode
fazer ao invés de marcar a falta. Para exemplificar essa questão a autora
destaca os livros: “A gaivota que não podia ver” e “o menino que via com as
mão”.
O
terceiro e último elemento que a autora analisa nas obras refere-se ao desfecho
das narrativas, assim ela aponta que alguns livros por não apresentarem um
enredo para ser resolvido, não possuem um desfecho. Nas obras que possuem um
desfecho ela destaca que as soluções utilizadas para finalizar as narrativas
podem ser divididas em: 1- uma solução pelo sentimento: amizade, amor, carinho.
2- a inserção do personagem diferente em grupos também compostos por outros
personagens diferentes. 3- a aceitação da diferença pelo personagem e pela
família.
Como
professora compreendo que a leitura desse texto foi bastante significativa.
Pois a autora mostra a importância de ao escolhermos uma obra literária para
trabalhar com nossos alunos observarmos
como a diferença é abordada pelo autor da obra escolhida e como ela é narrada
ao longo da história. Pois muitas vezes ao escolhermos uma obra para trabalhar
a questão da diferença poderemos estar reforçando estereótipos e preconceitos
ao invés de combate-los.
Ao ler esse texto me lembrei de uma história infantil escrita por Rubem Alves. A história tem como título: "Como nasceu a alegria" e conta a história de uma flor que não era aceita por ser diferente... Encerro então essa postagem com as palavras de Rubem Alves:
"Existe uma estória que foi construída em torno da dor da diferença: a criança que se sente não bem igual às outras, por alguma marca no seu corpo, na maneira de ser… Esta, eu bem sei, é estória para ser contada também para os pais. Eles também sentem a dor dentro dos olhos. Alguns dos diálogos foram tirados da vida real. Ela lida com algo que dói muito: não é a diferença, em si mesma, mas o ar de espanto que a criança percebe nos olhos dos outros […] O medo dos olhos dos outros é sentimento universal. Todos gostaríamos de olhos mansos… A diferença não é resolvida de forma triunfante, como na estória do Patinho Feio. O que muda não é a diferença. São os olhos…"
Na disciplina de ludicidade, estamos estudando os diferentes tipos de
jogos que as crianças utilizam nos diferentes períodos de acordo com a teoria
piagetiana. Segundo Piaget o desenvolvimento infantil pode ser dividido em três
períodos e em cada período estaria presente um tipo de jogo.
Confira
a baixo uma síntese que eu produzi para a disciplina de cada um dos períodos
explicando os tipos de jogos e trazendo exemplos que podemos utilizar e/ou
estimular com nossos alunos:
Período
sensório motor (0 - 2 anos) - Jogos de exercício-
Nesse período as crianças realizam ações com um objetivo, após observar a ação
executada repetem várias vezes, não mais pelo objetivo inicial mas pelo prazer
de continuar o exercício- Exemplos: 1- jogos de colocar e tirar-
vários objetos e potes que a criança coloca e tira objetos. 2- jogos de
esconder e achar- coloca-se um pano que tapa o objeto e a criança tira o pano
para achar o objeto escondido. 3- Jogos de esconde-esconde-- a criança se esconde
(na maioria das vezes tapa só o rosto) e o adulto "acha" a criança.
Período Pré-operatório (2 à 7
anos)- Jogo
simbólico- Nesse período a criança usa símbolos em suas
brincadeiras através da imitação- Exemplos 1- caixa com sucatas- as crianças
exploram e constroem objetos e situações através das sucatas. 2- caixa com
fantasias- um pedaço de pano pode ser utilizado como capa de super herói, saia
de princesa, coberta para "tapar o bebê" e toalha para enfeitar a
mesa.
Período operatório concreto (a
partir dos 7 anos) - Jogos de regras- são caracterizados por um
conjunto de regras que deve ser respeitado por todos os participantes
desenvolvendo a cooperação. Exemplos- 1- caçador, 2- elástico, 3- sapata
Para compreendermos um pouquinho melhor cada um dos tipos de jogos, podemos também assistir esses vídeos de cada um dos tipos de jogos que selecionei no youtube:
Jogos de exercício:
Nesse vídeo, o bebê Artur brinca de se esconder atrás de uma cortina e após aparecer para os pais. É interessante observar que o bebê repete a ação várias vezes, mostrando prazer nessa repetição. Uma das características desta forma de jogar descrita pela teoria Piagetiana.
Jogo simbólico:
Nesse vídeo a menina Anna Luiza, brinca de casinha. É possível perceber que ela imita várias situações vivenciadas no cotidiano em seu brincar. Esse "imitação diferida" é descrita por Piaget como aquela em que a criança realiza a imitação na ausência do que está sendo imitado.
Jogos de regras:
Nesse vídeo vemos alguns adolescentes brincando de "rouba bandeira". É interessante observar como as sujeitos, criam estratégias, conversam entre si e cooperam para o desenrolar do jogo. Podemos também observar o quanto todos se envolvem e se divertem na atividade proposta. Podemos perceber no vídeo as características descritas por Piaget para o jogo de regras, pois é possível verificar que existe um conjunto de regras que todos os participantes respeitam e desenvolvem a cooperação.
A postagem de hoje é motivada pelo estudo que temos realizado na disciplina de Libras. Assim compartilho algumas reflexões que tenho realizado a cerca do que tem sido debatido. Para fazer essa postagem começo com duas citações, uma de
cada texto estudado na disciplina, que acredito se complementam e mostram a importância de
alguns elementos na constituição da identidade e da cultura surda que são de
extrema importância que possamos conhecer e refletir:
Citação 1- Texto escrito por Bianca Pontin e Emiliana Rosa
O que é ser surdo? Ser surdo é um sujeito que pela ausência
da audição possui uma experiência visual e é usuário da língua de sinais. A
língua de sinais é um dos fatores que leva a construção da identidade,
comunidade e cultura surda. Mas, além da língua de sinais, tem a questão também
da experiência e da cultura visual, a questão do olhar. Assim, a audição não é
considerada como falta pelos surdos.
Citação 2- Texto escrito por Ana Campello e Patrícia Rezende
A história em defesa das nossas escolas específicas vem de
tempos longínquos. A língua de sinais e a cultura surda, em sua imensidão,
compartilhada entre os pares surdos, travou-se em períodos de proibições do uso
da nossa língua, por imposições ouvintistas, sempre entremeadas de muitas lutas
pela sobrevivência da nossa língua de sinais e pela qualidade da nossa
educação.
Na primeira citação somos convidados pelas autoras a
refletirmos sobre a experiência da surdez, não pela falta de audição mas por
uma experiência e uma cultura visual. Pensar a constituição do sujeito surdo
pela sua identidade relacionada a uma comunidade e uma língua especifica me
parece extremamente significativo para passarmos a compreender esses sujeitos
não a partir de uma deficiência, mas de uma diferença cultural.
A segunda citação complementa a primeira, pois se
compreendemos o sujeito surdo, como uma construção que tem relação com uma
identidade, uma comunidade e uma cultura surda precisamos também pensar em uma
educação de qualidade que contemple essa diferença como potência e não como
falta, assim as autoras do segundo texto defendem a importância de uma escola
bilíngue para garantir essa educação de qualidade.
Para complementar esse debate, sugiro que você assista o documentário Som e Fúria que encontra-se na abertura dessa postagem. Ele foi uma das indicações realizadas pela professora em aula e me ajudou a compreender uma pouco mais a discussão proposta pelas autoras nos textos.
A reflexão de hoje, vem inspirada na aula de musicalidade. Onde além de refletir sobre a importância da música para o desenvolvimento humano, tivemos a oportunidade de vivenciar diversas atividades musicais que alegraram nossa noite.
Na discussão teórica a professora enfatizou que uma das hipóteses de porque na história da humanidade existirem registros bastante antigos de que as pessoas faziam música, seria bastante simples: "fazemos música porque nos dá prazer". A aula foi uma "prova" disso, pois ao vivenciarmos diferentes propostas relacionadas a musicalidade sentimos o quanto fazer música nos dá prazer.
Pesquisando atividades que envolvam musicalidade para desenvolver com a minha turminha achei esse vídeo que compartilho com vocês, repleto de sugestões para trabalharmos com as crianças de educação infantil, algumas inclusive fizemos na nossa aula presencial.