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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Desenvolvimento da linguagem (PARTE 2)

Na semana passada busquei sistematizar algumas das contribuições do pensamento de Piaget e Vigotsky para o desenvolvimento da linguagem. Nessa semana vou realizar o relato de uma prática pedagógica desenvolvida com alunos de 02 anos de idade que se pautaram nos princípios apresentados na semana anterior. Primeiro apresento duas imagens e a partir da descrição dessas imagens apresento a atividade desenvolvida. Ao final realizo uma articulação com as teorizações apresentadas na semana passada.



Imagem 1:

                                        (Fonte: banco de imagens da autora)

 Imagem 2:

                                         (Fonte: banco de imagens da autora)

Na imagem 1 podemos observar uma criança que utilizou um brinquedo de encaixe, que através do seu brincar simbólico virou um binóculo, para observar algo. Na imagem 2, podemos observar que o aluno observava um filhote de passarinho e podemos inferir que esse passarinho havia caído de um ninho.
A atividade que foi desenvolvida com a turma teve como início essa cena e foi organizada a partir do olhar da professora para esse momento. Logo após esse registro várias crianças juntaram-se ao redor do passarinho. A professora então estimulou que as crianças criassem hipóteses orais para o motivo que levou o passarinho a estar ali. Uma criança logo questionou: “prof. Onde está a mamãe dele?” Outra perguntou “Onde é a casa dele?”, “Será que ele está doente?”. Então uma menina apontou para um poste e disse “Ali!”. Os coleguinhas logo acharam o ninho. Como não sabíamos o que fazer com o passarinho, nos dirigimos até a senhora que trabalhava na cozinha, pois de acordo com as crianças ela saberia o que fazer.
Ela então nos orientou a devolver o passarinho, mas envolver nossa mão com um pano para que o nosso cheiro não ficasse no passarinho. Ela nos ajudou e devolveu o passarinho para o ninho, com as crianças felizes aplaudindo. Após essa cena desenvolvemos uma série de atividades sobre o tema. E foi visível o desenvolvimento da oralidade dos alunos no momento de relatarem o que estávamos estudando. Inclusive os pais observavam esse desenvolvimento em casa.
Após esse breve relato busco articular com a teorização apresentada na semana passada podemos perceber a importância do meio social apresentada por Vigotsky para o desenvolvimento da linguagem de um lado, e as preocupações e explicações das crianças com relação aos fenômenos sociais apresentadas por Piaget de outro. Penso que nesse breve relato tais aproximações entre as teorias dos pensadores foi possível e importante para o trabalho pedagógico desenvolvido.


Referências:
PEREIRA, Caciana Linhares. Piaget, Vygotsky and Wallon: contribuições para o estudo da linguagem. Psicologia em Estudo, v.17, n.2, p.277-286. 2012.


quarta-feira, 6 de junho de 2018

Desenvolvimento da linguagem (PARTE 1)

Essa postagem será dividida em dois momentos. Nessa primeira parte realizo uma breve reflexão sobre as principais contribuições teóricas sobre o desenvolvimento da linguagem em Piaget e Vigotsky. Na segunda parte (que realizarei na próxima semana) descrevo uma atividade prática relativa ao desenvolvimento da linguagem em uma turma de educação infantil, com crianças de 02 anos de idade.

De acordo com a professora Caciana Linhares Pereira uma das importantes contribuições das teorias propostas por Vigotsky no que concerne o desenvolvimento da linguagem é mostrar como na criança podemos observar um aspecto diferente na esfera fonética e na esfera semântica. Enquanto na esfera fonética a criança avançaria da parte para o todo pois primeiro ela começa por uma palavra e depois avança articulando mais palavras entre si chegando a elaboração de frases. No aspecto semântico essa operação ocorre no sentido oposto: “a criança parte do todo para as unidades menores. A primeira palavra pronunciada pela criança não tem o significado isolado da palavra, mas o significado de uma frase inteira. Com o tempo, a criança passa a dividir o pensamento em unidades isoladas” (PEREIRA, p. 281, 2012).
Ainda de acordo com Pereira (2012, p. 284) as contribuições de Piaget para o campo da aquisição da linguagem também são muito importantes, mesmo que o autor “não tome a linguagem como constitutiva da inteligência e do pensamento, chegando mesmo a afirmar a independência do desenvolvimento da inteligência em relação à linguagem”. Assim a autora ira destacar como importante contribuição do pensador a construção de “um rico material sobre o modo como a linguagem se relaciona com as preocupações vitais na vida da criança” (PEREIRA, p. 285, 2012). Aqui destaca-se as preocupações que Piaget evidencia em suas incursões empíricas das crianças acerca das origens da vida e seus desdobramentos relativos à origem dos seres vivos e outros fenômenos naturais.
Apresentados estes princípios importantes acerca do desenvolvimento da linguagem na próxima semana irei apresentar uma atividade realizada com um aluno de uma turma de educação infantil com dois anos de idade com foco no desenvolvimento da linguagem. 





Referências:
PEREIRA, Caciana Linhares. Piaget, Vygotsky and Wallon: contribuições para o estudo da linguagem. Psicologia em Estudo, v.17, n.2, p.277-286. 2012.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Piaget e Vigotski: ação x interação?

      A reflexão dessa semana tem como inspiração os estudos realizados sobre as teorias desenvolvidas por Piaget e Vigotski sobre o processo de construção de conhecimento e aquisição da linguagem. Embora muitas pessoas posicionem as teorizações dos pensadores como opostas, minha reflexão vai ao encontro de pensar possibilidades de articulação e de como as teorias de ambos são importantes para que possamos construir nossa caixa de ferramentas para o nosso trabalho como professoras. 


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De acordo com o pesquisador Adrián Montoya (2006) podemos dividir os estudos piagetianos em três fases. Os estudos iniciais do pesquisador podem ser caracterizados pela busca da explicação acerca do progresso do pensamento infantil e suas características. Nesses estudos evidencia-se a importância de fatores sociais e culturais para o desenvolvimento do pensamento infantil. Na segunda fase, encontram-se os estudos realizados por Piaget nas décadas de 30 e 40 “tiveram como propósito mostrar a origem do pensamento nas coordenações gerais das ações, e a aquisição da linguagem, no exercício da função simbólica” (MONTOYA, 2006, p. 122). Sobre essa fase o pesquisador destaca que não significaria o abandono de Piaget pela explicação social acerca do desenvolvimento do pensamento infantil, entretanto observa-se uma integração em suas análises de fatores externos e internos como importantes para esse desenvolvimento. Tais fatores foram considerados nos estudos piagetianos como “aspectos indissociáveis e irredutíveis da ação humana” (MONTOYA, 2006, p. 124). A terceira fase descrita por Montoya (2006) acerca dos estudos piagetianos, refere-se aqueles realizados após às décadas de 30 e 40, onde ao realizar estudos com sujeitos com deficiência, o pesquisador irá avançar em suas análises sobre o desenvolvimento do pensamento e reafirmar suas hipóteses, mostrando que crianças cegas e surdas, onde foi possível observar os mesmos estágios de evolução, com alguns atrasos temporais de vivenciar tais estágios.
Os estudos desenvolvidos por Lev Vigotski, conhecidos como Psicologia Histórico Cultural, tiveram como foco a linguagem. Vigotski foi o primeiro psicólogo que realizou articulações entre a cultura e o desenvolvimento de atividades cerebrais que seriam estimuladas pela interação entre parceiros e mediada pela linguagem. Seria a linguagem que tornaria o homem em humano. Poderíamos destacar quatros conceitos chaves para compreender a teoria proposta pelo pensador: interação, mediação, internalização e Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Para o pesquisador mais do que o indivíduo aja sobre o meio, seria importante que ele interaja. Essa seria uma das principais distinções entre o pensamento de Piaget e Vigotski: ação X interação.
Acredito que compreender as teorias de Piaget e Vigotski é extremamente importante para que possamos primeiramente compreender como os processos de aquisição da linguagem ocorrem, e também como se formam as estruturas de pensamento. Para após podermos auxiliar nossos alunos a progredirem em suas hipóteses atuando como mediadores desse processo. Seja com centralidade na ação, em alguns momentos, seja com centralidade na interação em outros.

Referências:

MONTOYA, Adrián O. D. Pensamento e linguagem: percurso piagetiano de investigação. Psicologia em estudo. v.11, n.1, p119- 127. Maringá: 2006. P- 119-122.
Lev Vigotski: desenvolvimento da linguagem. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_BZtQf5NcvE

quarta-feira, 14 de março de 2018

Aquisição da linguagem

Essa semana tivemos nossa primeira aula na interdisciplina "Linguagem e educação" Na aula realizamos um debate em grupo sobre nossas hipóteses com relação ao processo de aquisição da linguagem, seja a partir de memórias da nossa infância, seja a partir de experiências vividas na escola como professoras ou na família com crianças pequenas.
Após realizamos a leitura do texto "Aquisição da linguagem" escrito pela pesquisadora Samanta Demetrio da Silva. No texto a autora apresenta as diferentes teorias que circularam sobre o processo de aquisição da linguagem ao longo dos anos. Silva (2010) destaca primeiramente o trabalho de Skiner e a hipótese behaviorista. Para Skiner a aprendizagem ocorria pelo condicionamento assim eram importantes os mecanismos de : estímulo-resposta-reforço. Após a autora descreve a teoria desenvolvida por Chomsky denominada de gerativismo. O autor vai defender a tese de que a linguagem é inata. Silva (2010) também destaca os trabalhos de Vygotsky e seus seguidores que desenvolveram as teorizações acerca do interacionismo. Para essa corrente a chave da aprendizagem seria a interação com o ambiente e através do convívio com os outros.
A autora conclui destacando algumas considerações da psicologia para a aquisição da linguagem que "incorporou a visão de que adquirir linguagem realmente envolve um dom natural modificado pelo ambiente" (SILVA, 2010, s/p). Assim as novas abordagens teriam como foco descobrir quais capacidades, acerca da aquisição da linguagem, são dadas de forma inata e quais são proporcionada pela interação com o ambiente e com os outros.
Acredito que essa disciplina irá produzir importantes reflexões e aprendizagens para a nossa formação em Pedagogia.

Agora você pode conferir a fotografia de alguns dos autores citados pelo texto:


LEV SEMYONOVITCH VYGOTSKY


                                                            NOAM AVRAM CHOMSKY

Referências: SILVA, Samanta Demetrio da. Aquisição da linguagem. In: https://www.webartigos.com/artigos/aquisicao-da-linguagem/43208. Acesso em: 14, mar. 2018.