Minha reflexão dessa semana tem como foco as discussões que estamos realizando na interdisciplina: "Educação de jovens e adultos no Brasil". Na aula presencial a professora leu uma citação de Paulo Freire do texto: "A alfabetização de adultos: é ela uma que fazer neutro?"
Esse texto foi escrito no ano de 1975 e me peguei pensando o quanto as reflexões de Freire nesse artigo seguem atuais para pensar a educação de jovens e adultos, mas não só, pois o texto também nos traz reflexões para pensar a educação como um todo.
Sendo assim me lembrei de um triste fato onde em manifestações recentes (o registro abaixo é de uma manifestação em 2015) fomos defrontados com cartazes que exigiam "Basta de Paulo Freire" na formação de professores.
Fiquei me perguntando então? O que Freire nos diria sobre tais protestos. Imaginar uma "escola sem partido" é defender que a educação poderia se constituir em um "ato neutro". Para tanto no texto acima mencionado Freire aponta:
"O que a educação sistemática está chamada a fazer numa sociedade repressiva, enquanto dela emergindo e sobre ela voltando-se, como instrumento de controle social, é preservar tal sociedade. Concebê-la, portanto, como alavanca da libertação é inverter as pedras do jogo e atribuir-lhe, como dissemos antes, uma autonomia que ela não têm, no processo da transformação social, sem o qual não há libertação como busca permanente" (FREIRE, p. 3, 1975).
Podemos então perguntar: quais os interesses de buscar formar professores que não estudem Paulo Freire?
Referências:
FREIRE, Paulo. A alfabetização de adultos: é ela um que fazer neutro? Disponível em: http://acervo.paulofreire.org:8080/jspui/bitstream/7891/1536/3/FPF_OPF_09_013.pdf.
terça-feira, 27 de março de 2018
terça-feira, 20 de março de 2018
Ofício de Mestre
Nessa semana tivemos nossa primeira aula da interdisciplina "Didática, planejamento e avaliação", e fomos convidadas pelas professoras a realizar uma atividade em grupo bastante lúdica que consistia em criar uma nova escola em um outro planeta.
Junto com um grupo de colegas criamos uma escola sem turmas, sem paredes, sem avaliações. O centro da nossa escola seria o aluno e os seus interesses e o principal recurso a tecnologia e o acesso aos conhecimentos.
Em um segundo momento da interdisciplina (agora a distância) fomos provocadas com uma citação do educador Miguel Arroyo em seu livro "Ofício de Mestre". Gosto muito desse livro e a construção de Arroyo nessa obra me trouxe uma interrogação: onde estavam os professores na escola que eu e minhas colegas havíamos planejado?
Muitas respostas podem ser dadas para essa interrogação: o professor organiza os conhecimentos que o aluno irá acessar, ou ainda o professor ira mediar o acesso do aluno ao conhecimento. O que desejo destacar é que por vezes pensamos muito nos recursos, nas estratégias e nas metodologias e esquecemos do mais importante: o professor, a professora.
Essa é uma das lições que Arroyo nos apresenta em sua obra ao afirmar que: "precisamos repor os mestres no lugar de destaque que lhes cabe" (ARROYO, 2010, p. 9). É com esse objetivo que Arroyo escreve essa obra e busca olhar para o magistério como uma "categoria [que] mantém e reproduz a herança de um saber específico" (ARROYO, 2010, p. 9).
Que possamos ao longo da nossa formação, seguirmos refletindo sobre os saberes que nos constituem como professoras.
Referências:
ARROYO, Miguel. Ofício de Mestre: imagens e autoimagens. Rio de janeiro: Vozes, 2010.
Junto com um grupo de colegas criamos uma escola sem turmas, sem paredes, sem avaliações. O centro da nossa escola seria o aluno e os seus interesses e o principal recurso a tecnologia e o acesso aos conhecimentos.
Em um segundo momento da interdisciplina (agora a distância) fomos provocadas com uma citação do educador Miguel Arroyo em seu livro "Ofício de Mestre". Gosto muito desse livro e a construção de Arroyo nessa obra me trouxe uma interrogação: onde estavam os professores na escola que eu e minhas colegas havíamos planejado?
Muitas respostas podem ser dadas para essa interrogação: o professor organiza os conhecimentos que o aluno irá acessar, ou ainda o professor ira mediar o acesso do aluno ao conhecimento. O que desejo destacar é que por vezes pensamos muito nos recursos, nas estratégias e nas metodologias e esquecemos do mais importante: o professor, a professora.
Essa é uma das lições que Arroyo nos apresenta em sua obra ao afirmar que: "precisamos repor os mestres no lugar de destaque que lhes cabe" (ARROYO, 2010, p. 9). É com esse objetivo que Arroyo escreve essa obra e busca olhar para o magistério como uma "categoria [que] mantém e reproduz a herança de um saber específico" (ARROYO, 2010, p. 9).
Que possamos ao longo da nossa formação, seguirmos refletindo sobre os saberes que nos constituem como professoras.
Referências:
ARROYO, Miguel. Ofício de Mestre: imagens e autoimagens. Rio de janeiro: Vozes, 2010.
quarta-feira, 14 de março de 2018
Aquisição da linguagem
Essa semana tivemos nossa primeira aula na interdisciplina "Linguagem e educação" Na aula realizamos um debate em grupo sobre nossas hipóteses com relação ao processo de aquisição da linguagem, seja a partir de memórias da nossa infância, seja a partir de experiências vividas na escola como professoras ou na família com crianças pequenas.
Após realizamos a leitura do texto "Aquisição da linguagem" escrito pela pesquisadora Samanta Demetrio da Silva. No texto a autora apresenta as diferentes teorias que circularam sobre o processo de aquisição da linguagem ao longo dos anos. Silva (2010) destaca primeiramente o trabalho de Skiner e a hipótese behaviorista. Para Skiner a aprendizagem ocorria pelo condicionamento assim eram importantes os mecanismos de : estímulo-resposta-reforço. Após a autora descreve a teoria desenvolvida por Chomsky denominada de gerativismo. O autor vai defender a tese de que a linguagem é inata. Silva (2010) também destaca os trabalhos de Vygotsky e seus seguidores que desenvolveram as teorizações acerca do interacionismo. Para essa corrente a chave da aprendizagem seria a interação com o ambiente e através do convívio com os outros.
A autora conclui destacando algumas considerações da psicologia para a aquisição da linguagem que "incorporou a visão de que adquirir linguagem realmente envolve um dom natural modificado pelo ambiente" (SILVA, 2010, s/p). Assim as novas abordagens teriam como foco descobrir quais capacidades, acerca da aquisição da linguagem, são dadas de forma inata e quais são proporcionada pela interação com o ambiente e com os outros.
Acredito que essa disciplina irá produzir importantes reflexões e aprendizagens para a nossa formação em Pedagogia.
Agora você pode conferir a fotografia de alguns dos autores citados pelo texto:
NOAM AVRAM CHOMSKY
Referências: SILVA, Samanta Demetrio da. Aquisição da linguagem. In: https://www.webartigos.com/artigos/aquisicao-da-linguagem/43208. Acesso em: 14, mar. 2018.
Após realizamos a leitura do texto "Aquisição da linguagem" escrito pela pesquisadora Samanta Demetrio da Silva. No texto a autora apresenta as diferentes teorias que circularam sobre o processo de aquisição da linguagem ao longo dos anos. Silva (2010) destaca primeiramente o trabalho de Skiner e a hipótese behaviorista. Para Skiner a aprendizagem ocorria pelo condicionamento assim eram importantes os mecanismos de : estímulo-resposta-reforço. Após a autora descreve a teoria desenvolvida por Chomsky denominada de gerativismo. O autor vai defender a tese de que a linguagem é inata. Silva (2010) também destaca os trabalhos de Vygotsky e seus seguidores que desenvolveram as teorizações acerca do interacionismo. Para essa corrente a chave da aprendizagem seria a interação com o ambiente e através do convívio com os outros.
A autora conclui destacando algumas considerações da psicologia para a aquisição da linguagem que "incorporou a visão de que adquirir linguagem realmente envolve um dom natural modificado pelo ambiente" (SILVA, 2010, s/p). Assim as novas abordagens teriam como foco descobrir quais capacidades, acerca da aquisição da linguagem, são dadas de forma inata e quais são proporcionada pela interação com o ambiente e com os outros.
Acredito que essa disciplina irá produzir importantes reflexões e aprendizagens para a nossa formação em Pedagogia.
Agora você pode conferir a fotografia de alguns dos autores citados pelo texto:
LEV SEMYONOVITCH VYGOTSKY
NOAM AVRAM CHOMSKY
Referências: SILVA, Samanta Demetrio da. Aquisição da linguagem. In: https://www.webartigos.com/artigos/aquisicao-da-linguagem/43208. Acesso em: 14, mar. 2018.
quarta-feira, 7 de março de 2018
Escolas democráticas?
Minha primeira postagem desse semestre refere-se as discussões estabelecidas na aula do dia 05/03/18 onde assistimos um trecho de uma animação produzida por Ellen Stein que é parte integrante do documentário "Democratic Schools" produzido por Jan Gabbert em 2006.
Porém, antes de iniciar essa breve reflexão gostaria de agradecer as boas vindas da professora Simone e da tutora Carmen bem como de todos colegas que me receberam muito bem na turma D de segunda -feira. Também agradeço as professoras Rosane e Mariangêla, ao tutor Glauber e as colegas de quarta- feira que me acompanharam nas atividades do seminário integrador. Infelizmente precisei trocar de dia para poder realizar o sonho de concluir o curso de Pedagogia na UFRGS. Assim agradeço ao apoio e a acolhida tão importantes nesse momento da minha trajetória.
Retomo então a reflexão que pretendo estabelecer na postagem de hoje, sobre a animação, escolas democráticas. Para organizar essa reflexão busquei organizar minha escrita em dois momentos. No primeiro realizo uma breve descrição da escola apresentada no vídeo a luz do conceito de Educação bancária e após na segunda parte apresento algumas possibilidades de pensar outra escola a partir da noção de Educação problematizadora. Tanto a concepção de Educação bancária como a concepção de Educação problematizadora que usarei nessa postagem foram desenvolvidas por Paulo Freire (2011) na conhecida obra: "Pedagogia do oprimido".
O vídeo retrata uma escola onde os alunos não interagem nem entre seus pares nem com os professores. Na maioria das cenas percebemos alunos passivos e professores ocupando um lugar central na organização da dinâmica de sala de aula. Em algumas cenas os alunos buscam se articular e oferecer outras propostas, porém elas não são levadas em conta nem pelos professores, nem pela equipe diretiva. Parece se estabelecer entre os professores uma compreensão de que a aprendizagem ocorre pela transmissão de um saber que o professor detém para um aluno que não possui saberes, uma tábula rasa.
Essa breve descrição da escola e das práticas pedagógicas lá desenvolvidas vai ao encontro de uma Concepção de Educação bancária, desenvolvida por Paulo Freire na obra "Pedagogia do oprimido". Essa obra foi escrita no ano de 1968 período em que Freire estava exilado, e lançada no
Brasil na década de 1970.
Na obra o
autor propõe uma crítica radical a proposta tradicional de educação que ele
denominou como educação bancária. Essa concepção seria problemática pois o
professor teria uma percepção passiva dos alunos como meros receptores de
informação. Em contraposição a essa noção de educação Freire irá propor uma
visão problematizadora da educação que implica a superação da contradição
educador e educando, transformando o professor em companheiro dos alunos que
aprende com eles. Nas palavras de Gadotti (2012, p. 459), diretor do Instituto
Paulo Freire, sobre a obra:
É neste livro que Paulo Freire
desenvolve o conceito de ‘educação bancária’, uma educação rígida, autoritária,
antidialógica, na qual o professor tem o papel de transferir o seu saber para
alunos dóceis e passivos como se eles fossem uma lata vazia. Ao contrário, a
educação problematizadora é participativa e dialógica. Ambos, professor e
aluno, buscam juntos, ‘em comunhão’, construir conhecimento valorizando o que
já sabem.
Assim concluo essa breve reflexão apontando para a importância de uma educação problematizadora onde a participação e o diálogo sejam peças chaves das práticas pedagógicas.
Referências:
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São paulo: Paz e terra, 2011.
GADOTTI, Moacir. Porque continuar lendo a pedagogia
do oprimido? Revista políticas públicas. São Luís: V. 16, n. 2. Jul/ dez, 2012.
P. 459- 461.
Assinar:
Comentários (Atom)




